Brinquedos Rurais Tradicionais

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Brinquedos Rurais Tradicionais

14,99  10,99 

Autor: Mário Neto

Data de publicação: Dezembro de 2016

Número de páginas: 96

Género: História

Idioma: Português

Descrição do Produto

Prefácio

As crianças sempre brincaram ao longo da história da humanidade. O comportamento de brincar ou o jogo na infância é uma linguagem universal que pode ser observado em todas as culturas e situações geográficas. É um comportamento fácil de observar mas difícil de interpretar. Brincar na infância permite a exercitação do corpo em situações inesperadas, tornando-se uma forma de conquistar uma capacidade de adaptação a situações de natureza motora, perceptiva, cognitiva e social. Brincar é uma forma de conquistar ferramentas úteis para a vida adulta e uma forma de conquistar segurança e autonomia. Jogar/brincar é uma das formas mais comuns de comportamento durante a infância, tornando-se uma área de grande atracção e interesse para os investigadores, professores terapêutas no domínio do desenvolvimento humano, educação, saúde e intervenção social. Por isso, o brincar oferece muitas vantagens durante o processo de desenvolvimento humano:

1 – O jogo promove o desenvolvimento cognitivo em muitos aspectos: descoberta, capacidade verbal, produção divergente, habilidades manipulativas, resolução de problemas, processos mentais, capacidade de processar informação; 2 – Em sequência, o empenhamento no jogo e os níveis de complexidade envolvidos, alteram e provocam mudanças na complexidade das operações mentais; 3 – A criança aprende a estruturar a linguagem através do jogo, isto é, brinca com verbalizações e, ao fazê-lo, generaliza e adquire novas formas linguísticas; 4 – A cultura é passada através do jogo. Esquemas lúdicos e formas de jogo passam de geração em geração, adulto para a criança, e de criança para criança; 5 – Habilidades motoras são formadas e desenvolvidas através de situações pedagógicas que utilizam o jogo como meio educativo;

As nossas memórias sobre as experiências lúdicas (brincadeiras, uso de brinquedos ou jogos) vividas na infância, apresentam sempre sentimentos positivos relacionados com recordações de lugar, objectos, amigos e aventuras. As recordações relacionadas a essas actividades estão normalmente associadas a características sociais e culturais predominantes na época e localizadas em certos locais e regiões particulares em que vivemos. Esta obra sobre Brincadeiras-Brinquedos Rurais Tradicionais Populares, organizada pelo Dr. Mário Neto, apresenta-se como uma contribuição muito inovadora sobre o património lúdico infantil do ponto de vista etnográfico. Não se trata apenas de descrever as brincadeiras e brinquedos utilizados em crianças do meio rural, na região da Serra D´Aire, nas décadas dos anos 50 e 60, mas de contextualizar essas actividades em função dos preceitos técnicos, linguísticos e culturais. Assim se caracterizavam as brincadeiras das crianças dos meios rurais, um pouco por todo o território Português. Neste sentido, a sua obra constitui também um excelente contributo para perceber as “culturas lúdicas da infância” no meio rural, num tempo difícil de vida da Sociedade Portuguesa nos pontos de vista político, social e económico. A vivência pessoal do autor nos seus tempos de infância, apresenta uma riqueza descritiva muito interessante, principalmente na forma como apresenta os pormenores da construção dos brinquedos e a sua participação nas brincadeiras. A transmissão da cultura lúdica entre adultos e crianças é uma característica também importante na construção do texto. Este contributo pode ser de grande utilidade pedagógica para quem se interessar em ensinar as crianças do nosso tempo a construir esses brinquedos e experimentá-los no meio escolar ou familiar. Esta tarefa apresenta algumas vantagens em relação ao momento de grande transformação dos interesses e condições de brincar das crianças dos nossos dias. As crianças de hoje também brincam, mas brincam de forma diferente. O aparecimento de novas tecnologias, a institucionalização dos tempos livres, a falta de contacto com a natureza, a inexistência de espaço livre para brincar, a diminuição de autonomia de mobilidade, a densidade de tráfego, são alguns dos constrangimentos actuais que impedem as crianças de terem acesso ao jogo livre. De facto, as mudanças sociais ocorridas nos últimos anos alteraram significativamente a estrutura da família, da escola e da comunidade. Os hábitos quotidianos de vida transformaram-se radicalmente, os ritmos e as rotinas de crianças e jovens também. Brincar na rua é, em muitas cidades do mundo, uma espécie em vias de extinção. O tempo espontâneo do imprevisível, da aventura, do risco, do confronto com o espaço físico natural, deu lugar ao tempo organizado, planeado, uniformizado. Do estímulo ocasional passou–se a uma hegemonia do estímulo organizado, tendo como consequência a diminuição do nível de autonomia das crianças, com implicações graves na esfera do desenvolvimento motor, emocional e social. Sem a imunidade que lhe é conferida pelo jogo espontâneo, pelo encontro com outras crianças num espaço livre, onde se brinca com a terra, se inventam jogos, se vivem aventuras, a criança vai revelando menos capacidade de defesa e adaptabilidade a novas circunstâncias. É um facto que as possibilidades de acção (independência de mobilidade) da criança e do jovem, tem vindo a diminuir drasticamente com todas as consequências na saúde pública, devido ao sedentarismo e ao analfabetismo motor. Não se trata de defender o mito do passado mas de destacar a mudança significativa das estruturas lúdicas na infância nos seus quotidianos nas últimas décadas.

Brincar não é só um direito é uma necessidade. Brincar não deve ser uma imposição mas uma descoberta. Brincar/jogar não é só uma ideia é uma vivência. O jogo não é um processo definido é um processo aleatório. Jogar/brincar não é só incerteza é uma forma acrescida de ganhar segurança e autonomia.

Diz a sabedoria popular que tudo tem a sua época. Na verdade, somos falíveis em rebuscar nas nossas memórias acontecimentos do nosso passado que jamais podemos esquecer quando vividas de uma forma feliz, positiva e agradável. A infância, a época da brincadeira, é possivelmente aquela de que mais facilmente nos recordamos, principalmente a felicidade que sentimos do que era o prazer de brincar. Deste modo, os brinquedos rurais tradicionais populares, que aqui descrevo são o resultado de uma inventariação trazida na memória desde o tempo em que me revejo a brincar, levandome às décadas de 50 e 60, na aldeia de Torrinhas, freguesia do Reguengo de Fétal, do concelho de Batalha. Chamar brinquedos às brincadeiras rurais, não me parece correcto uma vez que se reportam às actividades lúdicas das crianças nos meios rurais. Neste meio social a palavra brincadeira tinha não só o significado do acto de brincar mas também o nome dado a todo o artefacto utilizado nesse acto. Ao contrário, nos meios sociais urbanos, as cidades ou vilas, havia uma distinção bem mais clara entre os termos brincar e brinquedo. Do mesmo modo, a utilização dos termos criança e garoto identificavam de imediato a proveniência do estrato social familiar de cada jovem. De facto, naquele tempo, crianças eram os meninos, filhos de famílias de extracto social e económico médio e alto, que viviam e cresciam nos meios urbanos, filhos de “gente da alta”1, e normalmente chamados pelo nome em diminutivo. Garotos eram os filhos, de mulheres, de gente mais modesta economicamente, filhos de operários ou de gente que trabalhava a terra, nascidos e criados no meio rural e que não tinham possibilidades de adquirir brinquedos. Na descrição das brincadeiras contidas neste trabalho, sobre o tema que lhe dá o nome, serão utilizadas as designações empregues na época e a caracterização do respectivo contexto. Por outro lado, na descrição de cada brinquedo são referenciadas algumas situações verdadeiras, reais, e outras que o não sendo, retratam as imagens generalistas da nossa memória. Para facilitar a compreensão de tais descrições, cada brinquedo é ilustrado com um ou mais desenhos para melhor visualizar as palavras e identificar de uma forma mais evidente a construção e a vivência dessas brincadeiras. Tendo em consideração o intervalo temporal a que este trabalho se refere, sabemos que os brinquedos rurais aqui descritos são em grande parte comuns a outras regiões do país, conforme nos refere, também, a bibliografia disponível. Para um conhecimento mais profundo da nossa região, dos seus antepassados é importante sabermos, tão exacto quanto possível, qual o legado patrimonial das comunidades rurais. Na primeira parte, de forma simples e tão evidente quanto nos foi possível, pretendemos retratar o estádio de desenvolvimento do contexto social da época, com especial relevância para a influência dos aspectos socio-económicos, tendo em atenção as influências culturais. As mudanças no mundo rural foram, em grande parte, provocadas pelas influências da modernidade das cidades. O objectivo do presente documento centra-se num trabalho essencialmente descritivo de objectos e artefactos lúdicos infantis, baseados na vivência pessoal da época, não tendo a ambição de um estudo de natureza académico no âmbito da antropologia do jogo da criança do meio rural, apesar de considerarmos interessante a realização futura de um estudo exaustivo sobre a actividade lúdica das crianças rurais da época aqui retratada. Para cada um de nós, conhecer o passado é conhecer o presente, ajudando a situarmo-nos na evolução dos tempos. Actualmente, os jovens demonstram uma ávida procura sobre a sabedoria da vida dos seus antepassados. Quando lhes transmitimos estas experiências quotidianas da vida rural dos anos a que nos reportamos e quando lhes mostramos os instrumentos musicais, os brinquedos e os artefactos utilizados nos tempos dos seus avós, ouvem-nos atentamente, procurando compreender a cultura tradicional. A procura das raízes mais puras das suas origens ajuda-os a compreender o mundo em que vivem e a razão dos seus comportamentos.

Informação adicional

Peso 0.100 kg
Dimensões (C x L x A) 15 x 21 cm