IV Colectânea de Poesia Lusófona em Paris

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IV Colectânea de Poesia Lusófona em Paris

15,00  12,00 

Coordenação:  Adélio Amaro – Frankelim Amaral

Data de publicação: Maio de 2021

Número de páginas: 208

ISBN: 979-109737013-8

Género: Poesia 

Idioma: Português

Descrição do Produto

 

António Manuel Ribeiro

Músico, Compositor e Escritor Vocalista e fundador do grupo UHF

 

O rio palavroso que nos une

O rio. Ou o sangue. As palavras contidas que se espalham, que iluminam o espírito, a essência do bípede inteligente. Ou nem tanto. O rio das palavras, o oceano que visita enseadas como nós visitamos sonhos e criamos situações, paragens no tempo, melodias de um mundo novo tão velho como as pinturas rupestres – queremos comunicar e prolongar a eternidade, nós que fisicamente estamos de passagem.

Quando o golpe de estado do 25 de Abril de 1974 arrumou a censura e o exame prévio, metamorfose marcelista da mesma tesoura, num recanto de um sótão perdido – é tudo tão indefinido –, pensámos que uma pleiade de obras literárias saltaria do alçapão onde resistiram ao tempo: do teatro, da literatura, da poesia, do ensaio político, mas o tropel dos corcéis que os autores proibidos, perseguidos e censurados cavalgando as ideias mais nobres e futuristas, foi uma pura ilusão – nada surgiu de significativo. Talvez um refugo aqui e ali em poema de canção.

Na incúria, na cobardia ou pelo alheamento, como o povo, viveu-se habitualmente1 uma longa noite de 48 jornadas. Chamei-lhe ‘Golpe de Estado’, porque foi feito por militares, aproveitado para a romântica ilusão de ter sido a ‘Revolução’ que alguns traziam no bolso dos manuais e berravam por popular. Não é verdade, foram as armas dos heróis quase anónimos que nos abriram a janela das ideias finalmente livres.

Mudámos, pela liberdade alcançámos a divergência livre do pensamento individual. Estabelecemos o Estado de Direito, apesar de alguns acharem que a liberdade era o formato que traziam no bolso, que leram nos manuais e era contentinha.

Mas não éramos (somos) nós um país de poetas? Não sulcávamos os trilhos do fingidor-mor que Pessoa ergueu, ansiando pela acutilância de Junqueiro e o universo maior de Camões?

Viemos por aí. E eu entrei por estes campos para vos celebrar. Ao editor, Frankelim Amaral, ao coordenador Adélio Amaro e a todos os que amam as metáforas do léxico português e se dedicam à poesia, espalhados pelas quatro partidas, celebrados em Paris – Mário de Sá-Carneiro sorri-vos por aí.

Num tempo estranho, que invadiu como um sopro feroz as nossas vidas, que vai dando voltas ao planeta desmembrando o que se tinha por certto e o que se espera, é de enaltecer que as ideias, as imagens, o sossego e a raiva, o choro desalmado e a alegria mais pura se vistam de rimas e evoquem que na escrita poética continuamos a tomar caminhos antes desconhecidos que saciam a fome e a sede dos que não se contentam habitualmente.

O desconforto é a minha procura, o inconformismo comanda a minha existência, fico pequeno perante a força que vos domina a vontade.

É vossa a edição da IV Colectânea de Poesia Lusófona em Paris. Eu, como o António Lobo Antunes diria, fiz de amanuense. Barafustei. Hoje estou assim, alerta e atento ao que aí vem no pós-pandemia – não falhem às palavras, serão necessárias para a reconstrução do sonho sem medo.

Fevereiro de 2021

Informação adicional

Peso 0.400 kg
Dimensões (C x L x A) 17 x 24 cm